quinta-feira, 8 de março de 2012

Exposição “Janelas do Passado Espelhos do Presente: Belém do Pará, arte, imagem e história”


Local: Salão Verde
Mostra de longa duração do Museu de Arte de Belém
Visitação:: terça a sexta: 10h às 18h/ sábado, domingo e feriados : 09h às 13h

A mostra de longa duração do acervo, inaugurada em outubro de 2011, apresenta 195 obras entre pinturas, bronzes, porcelanas, cerâmica e  mobiliário de época, obras que hoje servem para dar o riscado visual aos sentidos e aos significados da história do passado da cidade de Belém. A mostra marca a reabertura do mais importante salão de exposição do MABE, possibilitada pelo apoio institucional do IPHAN/MINC, através do Edital Modernização de Museus 2008/2009. Sendo a confecção do catálogo , uma contrapartida da Fundação Cultural do Município de Belém – FUMBEL.

 Janelas do passado, espelhos do presente:
Belém do Pará, arte, imagem e história
Aldrin Moura de Figueiredo
Faculdade de História – Universidade Federal do Pará

Um museu, uma coleção pinturas, uma pinacoteca municipal: temos à vista, diante de nós, a janela da alma de uma cidade. Quem pode nascer, se criar e conviver na elite paraense entre as décadas finais do século XIX e as primeiras do século XX, viveu tempos de riqueza. As jóias e os escombros de uma bela época ainda teimam em permanecer. A nostalgia e a estranha saudade de um tempo que os que viveram já se foram marcam o olhar de quem visita um palacete de outrora. O museu, que abre suas portas para receber o visitante, mostra as mais belas ruínas de um mundo que não existe mais. Avista-se um jardim de Benedito Calixto, na velha orla do Pinheiro, hoje Icoaraci, e uma tristeza no olhar de quem mira o sonho de viver o tempo que passou. Olha-se a Estrada de São Jerônimo retratada por Antônio Parreiras, com os trilhos de bonde e o passeio dos belenenses à sombra das mangueiras e sentimos que aquilo por pouco não pertence mais.
O museu, no entanto, cumpriu seu papel. Guardou, preservou e protegeu, quase sempre esquecido, alguns dos mais belos testemunhos do passado. Pinturas, esculturas, móveis servem hoje para dar o riscado visual aos sentidos e aos significados históricos do passado. Nas telas, no bronze e na madeira estão os contornos biográficos de cada artista, a prosopografia de várias gerações e os sentimentos mais íntimos de cidadãos esquecidos. O Museu de Arte de Belém, legítimo herdeiro da antiga pinacoteca da cidade, é o fiel depositário das escolhas, omissões e esquecimentos dos homens de governo de Belém. Artistas que aqui se mostram presentes ajudaram a pintar e escrever a história da Amazônia sob velhas e novas perspectivas, recontando e reescrevendo a própria história da arte brasileira1.
No entremeio dos belos quadros apresentados, jazem os percursos da história da arte, o cotidiano das exposições e dos marchands, o mercado das artes, a censura que vitimizou vários artistas e também muito dinheiro aplicado ao exercício da civilização. Para essa a elite da época estava em jogo marcar o fim do Império e a aurora da República. Para o nosso mais importante pintor da época, Theodoro Braga, a história da arte na Amazônia era, toda ela, republicana. Arte republicana quer dizer, neste contexto,
arte nacional – um conceito que será caro ao movimento intelectual que ele mesmo ajudou a construir no Pará das primeiras décadas do século XX.

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